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O futuro já começou

Referência em assuntos sobre mobilidade e indústria automotiva, Yeswant Abhimanyu, consultor da empresa americana Frost & Sullivan, avalia soluções tecnológicas no Brasil e o mercado online de autopeças

Há quatro anos, o indiano Yeswant Abhimanyu deixava seu país para se aprofundar em um mercado totalmente novo e muito diferente culturalmente do seu: o Brasil.

A cidade de São Paulo tem sido a residência de Abhimanyu, que também a utiliza como objeto de estudo para as importantes pesquisas da consultoria americana Frost & Sullivan, uma das mais renomadas mundialmente na área de negócios e estratégias empresariais.

Esses anos na cidade brasileira fizeram com que o consultor assumisse, recentemente, o cargo de gerência de pesquisa para a indústria automotiva e de mobilidade na América Latina.

O balanço, em relação à tecnologia e mobilidade no País, é positivo.“O mercado automotivo e de mobilidade no Brasil está no caminho de mudanças e inovação. O setor automotivo não se concentra mais apenas na fabricação de veículos; agora, faz de tudo para se tornar provedor de soluções de mobilidade”, afirma.

“Isso é ótimo, pois cria inúmeras oportunidades em todas as áreas desse mercado, através de novos negócios e serviços”, analisa.

De acordo com a pesquisa Global Mobility City Tracker, da Frost & Sullivan, em que avalia tendências de mobilidade em 100 cidades do mundo, quando o assunto são as novas soluções de mobilidade, São Paulo sai na frente de cidades como Istambul, Cidade do Cabo e Moscou.

“Visão de mobilidade inteligente e a eficácia de estratégias sustentáveis estão entre os fatores que têm impulsionado a metrópole. Na América Latina, a estimativa é que cidades maiores sejam o foco principal de novos modelos de negócio. São Paulo, sem dúvida, tem potencial para estar entre as cidades líderes da América do Sul”.

Mais tecnologia, mais negócios

Para Yeswant, os novos serviços e negócios, que têm nascido com o apoio da tecnologia, vêm como forma de suprir deficiências de mercado e, ao mesmo tempo, para movimentar a economia.

“Nos últimos anos, testemunhamos o crescimento de uma série de novos modelos de negócio por conta da desaceleração econômica, como os aplicativos de transporte. Eles tiveram aceitação rápida e muito bem-sucedida, pois são alternativas adicionais para a mobilidade diária”, diz.

O sistema deficitário no transporte público e em outras áreas, e a tecnologia cada vez sofisticada motivaram uma onda de aplicativos, programas e portais que visam a economia dos brasileiros e a melhoria na funcionalidade de diferentes setores.

“Acreditamos que os modelos de negócio que ajudam a economia dos brasileiros vão se unir, com o apoio da tecnologia, para oferecer soluções sob medida para áreas distintas”, opina Yeswant Abhimanyu.

De olho nas tendências

Para o profissional, empresas que valorizam a tecnologia serão fundamentais para o progresso de diferentes setores – inclusive, o automotivo. 

“A Frost & Sullivan acredita que a transformação digital da indústria automotiva no Brasil tem de ser baseada em pilares como cadeia de suprimentos conectada, manufatura automotiva 4.0, serviços de mobilidade, e gerenciamento de relacionamento com veículos (VRM), um meio que usa dados gerados a partir de sistemas incorporados nos automóveis, que conectam o usuário ao fabricante”, diz.

O consultor Yeswant Abhimanyu. Foto: Romero Cruz


“A tecnologia no produto, na aplicação e na inovação tem o potencial de reorganizar a mobilidade, de torná-la mais ampla e acessível. Além de conectar pessoas e otimizar recursos”, afirma.

De acordo com ele, São Paulo tem sido berço de modelos de negócio surpreendentes, além de apoiar empresas em fase inicial que visam inovação. A plataforma Canal da Peça é um exemplo.

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“O Canal da Peça oferece uma grande variedade de peças, de vários fabricantes, possibilitando assim um mercado exclusivo para vendedores e compradores. Mais do que isso, possibilita inúmeras parcerias no setor, entre fabricantes, oficinas, lojistas e consumidores, além de promover relações vantajosas, mostrando assim um potencial disruptivo”, opina.

Novos tempos para o setor de autopeças


Para Abhimanyu, o setor de autopeças já pode experimentar as novas ferramentas digitais que possibilitam maior integração entre os profissionais da área. 

“As oportunidades de negócios e parcerias entre fabricantes e lojistas agregam valor ao Canal da Peça. A empresa está se posicionando como o principal meio de busca e compra de autopeças online”, diz Yeswant Abhimanyu.

A nova era para o setor chega em um momento de ascensão no mercado de reposição. “O mercado mundial de reposição, em 2017, movimentou cerca de US$ 24,8 bilhões. Este ano, a estimativa é que os canais online representem 4,5% no faturamento mundial”, afirma.

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O estudo “O futuro da venda de peças e serviços no mercado automotivo”, da Frost & Sullivan, revela que entre 10 e 15% de toda a receita global de peças será gerada online até 2025. Fabricantes e fornecedores vão utilizar plataformas digitas como forma de garantir e expandir a distribuição dos produtos aos lojistas, o chamado Business to business (B2B), que são transações comerciais entre empresas.

Segundo Abhimanyu, o Canal da Peça é uma das grandes apostas do setor no Brasil. “A plataforma se posiciona como uma ferramenta perfeita para as empresas que querem crescer e construir seu canal de vendas na internet”, diz ele, citando os diferenciais.

“O Canal da Peça oferece múltiplos mercados, página customizada, suporte pós-venda, centenas de marcas cadastradas, conhecimentos técnicos, marketing por geolocalização e, principalmente, know-how”, comenta. 

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B2B e B2C no Brasil

Segundo a consultoria Frost & Sullivan, o modelo B2B será a grande tendência do mercado de reposição mundial. “Facilita a cooperação, em termos de suporte, treinamento e compartilhamento de conhecimento técnico, entre fabricantes, distribuidores e reparadores automotivos”, diz Yeswant. “Ao mesmo tempo, os clientes estão cada vez mais encomendando peças para serem entregues na localização do instalador de sua escolha”.

“Os mecânicos estão mostrando uma crescente propensão para comprar online, o que também é validado por pesquisa da Frost & Sullivan envolvendo mais de 500 lojas em 2017”, avalia Yeswant Abhimanyu.

De fato, os mecânicos estão cada vez mais conectados. “Quando não encontramos as peças nos distribuidores, precisamos recorrer à internet. Também acesso muito para conteúdo técnico”, revela Jorge von Simson, da Autovila Bosch Car Service.

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Para Abhimanyu, ambos os modelos oferecem oportunidades no País. “O mercado de reposição no Brasil é altamente fragmentado, com inúmeros canais de distribuição e participantes, incluindo supermercados e postos de gasolina. Para o business to consumer (B2C), que é a venda para consumidores, as oportunidades estão presentes em relação à variedade de produtos, canais online e ofertas de serviços”, analisa.

Futuro tecnológico

Segundo Yeswant, as impressões em 3D, que incluem peças, também serão muito vistas – bem antes do que as pessoas imaginam. “Essas impressões marcam a evolução do setor, assim como outras novidades que têm feito sucesso em áreas distintas”, opina.

“Soluções relacionadas ao blockchain no mercado de reposição independente ainda estão em um estágio muito inicial, mas será apenas uma questão de tempo: elas vão crescer rapidamente”, garante o profissional. O futuro já chegou. Pelo menos, no setor de autopeças.

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